Hipertensão e estresse: tem relação?

Título: Hipertensão e estresse: tem relação?

Beatriz Pin Baffini - Psicóloga aterapia - CRP 06/165661

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Apesar de a hipertensão arterial ser uma condição considerada pelos profissionais da saúde como de fácil detecção, acomete inúmeros brasileiros. Publicação do Ministério da Saúde (2021) aponta que aproximadamente 38 milhões de brasileiros são hipertensos. A hipertensão arterial é considerada uma doença crônica não transmissível, e se refere à elevação do nível pressórico considerado esperado ou adequado para determinada faixa etária e caso clínico.

A publicação citada do Ministério da Saúde considera o estresse como um dos fatores de risco para a hipertensão. Ele se enquadra nos fatores de risco relativos ao estilo de vida da pessoa. Podemos considerar o estresse um processo desencadeado a partir de uma sobrecarga de estímulos que no momento o sujeito não tem recursos de enfrentamento suficientes. Para demonstrar uma possível relação entre o estresse e a hipertensão arterial, gostaria de citar o recorte do seguinte estudo, que se destacou em minhas leituras:

“Em seu estudo com trabalhadores petrolíferos, Li et al. (2016) constataram que o estresse ocupacional, causado pelas demandas do trabalho, favoreceram o aparecimento de 231 casos de hipertensão arterial, uma vez que grande parte dos profissionais se sentiam pressionados psicologicamente e, como forma de minimizar o sofrimento, adotaram comportamentos insalubres, como ingestão de álcool, dietas com alto teor de gordura, uso de cigarros e estilo de vida sedentário.” (BEZERRA et al, 2021, p. 10)

Os comportamentos elencados adquiridos a partir de situação de estresse no labor, são todos considerados, pela comunidade científica, fatores de risco para a hipertensão arterial.

Parece interessante destacar que muito se discutiu sobre hábitos de saúde com o isolamento social orientado pela pandemia de covid-19. Viu-se um alargamento (ou até mesmo piora) de casos de sedentarismo, ingestão de álcool e alimentações carregadas de sódio e gordura, por exemplo. É possível dizer que entre fatores para esse quadro neste período, estão o estresse e ansiedade desencadeados pelo isolamento social que esteve imbuído de incertezas e cerceamentos angustiantes.

Pensando nas relações entre corpo e mente, um cuidado integral à saúde pode se mostrar benéfico, de modo a apreender o sujeito como uma unidade perpassada pelos diversos aspectos: fisiológico, psicológico, social, laboral, etc. Entende-se que um cuidado integral visa diminuir riscos de adoecimento e a promover o bem estar de maneira ampla. O cuidado psicológico num caso de hipertensão com ligações com o estresse pode contribuir no tratamento, promovendo um ambiente de acolhimento e reflexão, onde se desenvolva maior repertório de recursos para manejar situações estressoras.

Referências citadas:

PAGNO, Marina. Hipertensão arterial: hábitos saudáveis ajudam na prevenção e no controle da doença. Ministério da Saúde. Disponível em: <https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/hipertensao-arterial-habitos-saudaveis-ajudam-na-prevencao-e-no-controle-da-doenca>. Acesso em: maio 2022.

BEZERRA, H. C. DE J.; GAUDÊNCIO, E. DE O.; BATISTA, J. R. DE M.; DE LUCENA, M. DO S. R.; DE OLIVEIRA, A. R. A RELAÇÃO ENTRE HIPERTENSÃO ARTERIAL, ANSIEDADE E ESTRESSE: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA. Psicologia em Estudo, v. 26, 12 nov. 2021. Disponível em: <https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/PsicolEstud/article/view/46083>. Acesso em: maio 2022.

Publicado em: 23/06/2022

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